quarta-feira, 24 de outubro de 2018

VI-TE E FIQUEI TÃO NERVOSA

Na quarta feira, dia 24 de Outubro, a Escola Ave-Maria celebrou 73 anos e o dia iniciou-se com uma missa, na Igreja de Alcântara com alunos, professores e pais.

No dia anterior, eu e a Eliana, tínhamos estado, no ensaio do coro dos pais, com muita alegria da parte da Eliana que adora cantar.

No dia, deixei a Eliana na escola às nove, pela primeira vez com a farda dos dias de festa que seguiria para a igreja com a sua professora e os seus colegas e eu fui com as outras mães também para a igreja, onde ficámos do lado do coro.

Assim, foi só na altura da comunhão que a Eliana me viu, estava ela, nessa altura ao colo da professora, ao lado de toda a turma, que olhava para mim e a avisava com gestos e palavra que a mãe dela estava ali.
- A tua mãe está ali! - e apontavam para mim.
Para os colegas da Eliana, eu sou a mãe da Eliana embora, também, saibam que a Eliana tem os pais na Guiné Bissau.

Quando passei junto da Eliana e da professora, a professora perguntou à Eliana se queria ir comigo mas ela escondeu-se no colo da professora e disse que não.

Eu sorri e avancei pensando, um pouco, naquele "ataque" de timidez nada vulgar na Eliana.

Mais tarde, a falarmos da missa e do coro, cantando e relembrando algumas da músicas, a Eliana disse-me

- Eu vi-te na missa e fiquei tão nervosa, muito nervosa mesmo! - e acrescentou perplexa - e eu não sabia porque estava assim tão nervosa mas estava mesmo. Olhava para ti e ficava nervosa. Eu não sabia isso.



Coro da missa, com alunos e pais

Achei um amor! A solenidade do momento, o momento da comunhão, mais a presença dos colegas, induziram nela esta timidez que nem sabia muito bem definir e que a surpreendeu pois a relação comigo é muito próxima e cheia de naturalidade, no nosso dia a dia.

Que amor de miúda,  pela primeira vez a reflectir,  sobre as situações sociais e a forma como interferem na nossa forma de estar.

E que bom eu ter tempo e sensibilidade para poder usufruir de tudo isto.
Viver uma vida abençoada é o que sinto, cada vez mais, desde que esta miúda entrou na minha minha vida.



A turma, a regressar à escola, depois da missa 









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