segunda-feira, 1 de outubro de 2018

GRATIDÃO E AULAS DE BALLET

A fragilidade, que mais tarde se instalou e obrigou a Eliana a ficar em casa e faltar à escola, já se adivinhava há mais de uma semana.

Toda a semana, a Eliana, fez uns sons surdos de quem está engasgada mas não tossia. Fiquei logo em estado de alerta.
Pedi à professora para observar. Pedi à Catarina para observar.

Na sexta feira, tinha combinado com a Catarina que a Eliana ia para Santarém, dormir de sexta para sábado porque eu precisava desse fim de dia livre, sem crianças.
E foi assim, que na sexta.feira, depois da escola, a Eliana foi, até Santarém,  com a Catarina, super contente, com a surpresa de ter o Zé e a Sara, a virem de Santarém até Lisboa, para conhecerem a escola nova da Eliana e lhe fazerem companhia na viagem. Dois adolescentes e uma miúda, o trio perfeito.
A Eliana gosta imenso de ir para Santarém com a Catarina, a quem chama a mãe n.º 2, mas apenas uma noite. Só quer ficar uma noite. A Catarina, casada com o Nuno, tem o filho Zé de 15 anos e o Nuno tem a filha Catraina de 13 anos, ambos com uma paciência imensa para estarem com a Eliana.
E também Ofélia, mãe da Catarina, acolhe a Eliana com ternura e paciência e faz com a Eliana uma conjunto muito alargado de atividade que a Eliana, ama. A Eliana chama-lhe Avó Fela. E sábado, foi tempo de fazer línguas de gato e pãezinhos de leite, com a avó Fela.

No fim do dia de sábado Eliana regressou a Lisboa, a dormir ao colo do Nuno e nem acordou quando este entrou aqui em casa, com ela e a deitou na cama. Tudo perfeito.

E foi bom ter dormido cedo de sábado para domingo porque domingo foi necessário acordar cedo para ir para a EXPO, para  uma festa de aniversário de um coleguinha da escola, no Pavilhão do Conhecimento. Nesta festa fez um atelier de cozinha molecular ( eu nunca tinha ouvido falar de tal) e fez um "ovo estrelado" com leite, farinha e manga. Foi uma experiência, para lá de todas as expectativas da Eliana, que não parou de dizer que tinha de fazer o mesmo em casa mesmo que eu não faça ideia como se faz um "ovo estrelado" com farinha, leite e manga e não encontre nada no Youtube que ensine. Nesse domingo, a tarde foi super calma, em casa, num programa, a duas, de cinema na televisão. São dias felizes de partilha de momentos felizes.

Segunda, num primeiro dia  em que eu, já iniciava o ano lectivo, cheia de aulas, deixei a Eliana, dormir até ao último minuto possível, antes de começar a acordá-la para ir para a escola.
Mas,  não foi boa decisão porque acordou doente, a não querer levantar-se e eu, com menos de uma hora para ter de sair e ir para o meu trabalho.

Mas, nem passam dois segundos, e eu já estou a perceber que não vou poder levá-la à escola. Está doente com vontade de vomitar. E efectivamente são oito horas da manhã e começa a vomitar como é frequente acontecer. Vomita expectoração, a seguir irá dormir uma ou duas horas e a seguir ficará boa. 

Mas agora a miúda precisa de ficar em casa e não vai poder ir à escola.
São oito e meia da manhã e eu faço uns cinco telefonemas mas fica tudo organizado para eu ir embora para Setúbal e a miúda ficar a recuperar.

9h -13h - Fica em casa com a Ana pois é o dia em que tenho a Ana, a nossa empregada. Como a expectativa é que melhore ao longo da manhã, organizo, com normalidade, o resto do dia.

13h-16h - A Ana leva a miúda a casa de uma amiga minha, a Sofia,  que tem empregada todo o dia e onde a Eliana pode ficar até perto das quatro. Vou enviá-la com o fato de ballet porque hoje é o dia em que vai começar as aulas de ballet, num ginásio aqui do bairro. 

16h - Outra amiga minha, a Isabel, com quem já tinha combinado que ia buscar a Eliana à escola e levá-la para a aula de ballet, vai buscar, a Eliana, a casa da sofia e deixá-la na aula de ballet.  E eu, pelas cinco horas, vou sair de Setúbal e, ainda, vou chegar a tempo de ver, a Eliana, no fim da aula.






Quando chego ao ginásio encontro, a minha amiga, e as outras mães, em modo de conversa, enquanto esperam que as filhas, saiam da aula de ballet.
Para minha surpresa,  o centro da conversa era a Eliana e a necessidade de lhe encontrar todo o equipamento necessário para as aulas de ballet, sem implicar novos custos.

- Tenho um laço, posso dar-lhe. Comprei um maior.
- Olha, já telefonei, a minha prima, diz que tem uma saia, que pode dar.
- Que número de sapatos, ela calça? Devo ter uns sapatos cor-de-rosa para dar.
- Posso ir à Rua do Século, comprar o que faltar.

E foi assim, que tudo correu super tranquilo, nesta segunda feira, de Outono, primeiro dia de aulas na escola onde trabalho.

 Na minha pele ficará marcado para sempre, mais este dia, de solidariedade espontânea e gentil, anónima e suave, em redor da Eliana, que junta o que dá sentido e é necessário, no momento.

Grata!







2 comentários:

  1. Ora bem e eu tenho tudo o que era da minha Diana! Maiô, saia, sapatilhas, coques de várias cores. Vou procurar porque 3 fatos completos não merecem estar parados!!

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    1. Obrigada Andreia! Aqui, os fatos são bordeaux! Acho que nem sempre são assim! :(

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