sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

A CAMPANHA PRESENTES NUMA CAIXA

A Eliana, foi quem trouxe, de uma forma mais afectuosa a Guiné Bissau até ao meu universo de vida. E, este ano, esse afecto que sinto pela Guiné Bissau que conheço através dos olhos de uma criança, concretizou-se na campanha que, como presidente da Associação Famílias do Mundo, me envolvi este mês de Novembro.

UM PRESENTE NUMA CAIXA

É uma campanha que traduz este sentir que, com a generosidade que temos dentro de nós, o desejo de transmitir aos nossos filhos e pessoas do nosso coração o valor imenso da solidariedade, podemos mudar, um dia, a época de Natal de uma só criança, de duas crianças, de quatro, de oito de um imenso número de crianças que, vivendo em situação de pobreza extrema, nada esperam e tudo recebem.

E um novelo de amor se desenrolou para "tricotar" esta campanha.

A Marisa Costa, estudante das minhas classes de relação escola-família nos anos noventa que me ligou a falar de uma campanha de Natal, na sua escola, onde se falaria dos sonhos dos meninos da Guiné Bissau e se eu saberia quais eram os presentes que os meninos de Catió, a localidade onde a Eliana vivia com a sua família, sonhavam para este Natal.

Eu sorri. Os meninos de Catió não sonham co, presentes de Natal como podem sonhar os meninos de Lisboa, Moita ou Montijo. Não existem lojas para fazer sonhar, não existe uma televisão a produzir sonhos nem mesmo o vizinho, o amigo, o filho do professor. A pobreza e a ausência de recursos é largamente partilhada por todos, na tabanca, no bairro, no Sul e no Norte de Catió.

Vejo a irmã que gere a escola da missão, a escola de  São Bento, a sorrir a mesmo tempo que escreve que os meninos de Catió  não sabem querer um presente de Natal porque nunca o tiveram.

E fico parada a pensar na impossibilidade desta acção pensada pela professora Marisa.

E comento preocupada com outra estudante dos anos noventa, a professora Eunice Ribeiro, que de tanto pensar "fora da caixa" me fala " fora da caixa"mais uma vez, perguntando se eu conheço a campanha dos presentes numa caixa de sapatos.
Eu ri-me. Só mesmo ela.
E assim, me contou, que são caixas de sapatos que se oferecem cheias de pequenos presentes que se oferecem às crianças no Natal, em campanhas desenvolvidas um pouco por todo o mundo no campo da solidariedade. Amei a ideia e fui logo pesquisar na internet.

E amei a ideia porque me fez sentido e tendo como pano de fundo a experiência da Eliana que durante mais de uma ano nunca ligou a brinquedos e no supermercado se fascinava e queria trazer para casa toda a fruta, todo o peixe, toda a carne.

Uma caixa com um brinquedo, um artigo de higiene, um artigo de vestuário e material escolar. Tão fantástico como realista.

E pensei logo em Catió e nas escola de São Bento e na possibilidade de as irmãs distribuírem os presentes pelos seus alunos, do pré escolar ao fim do secundário.

E era nisto que pensa quando por uma feliz coincidência do destino, conheci a guineense Muna Sila, advogada em Bissau, recém regressada de Portugal, amiga da minha amiga Nafi, também guineense e estudante na Universidade de Coimbra, a cidade onde nasci e a Muna me falou do seu desejo em oferecer presentes de Natal a crianças doentes em Bissau.

Num instante, este mar de afectos. organizou-se dentro de mim e fui escrever a publicação que deu origem à campanha UM PRESENTE NUMA CAIXA e que aqui partilho.





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