quinta-feira, 4 de outubro de 2018

SALA DE AULA NA GUINÉ BISSAU.


Imagens da sala de aula no Centro Educativo de São Bento, Outubro de 2018

Primeiro dia de aulas de 2018, no Centro Educativo de São Bento, Catió, Guiné Bissau.

Dina, a menina que está no quadro tem sete anos. É prima da Eliana e vive em Catió, um localidade a 280 quilómetros de Bissau. A sala de aula está repleta de alunos. Não existem manuais escolares na Guiné Bissau na dimensão que conhecemos aqui na Europa. A maior parte das matérias e exercícios das aulas são escritos no quadro e copiados pelos alunos para o seu caderno. Quadro e caderno são essenciais.

A possibilidade de uma criança ter acesso a uma escolaridade, regular e de sucesso, numa zona interior rural da Guiné Bissau é pouca. Os professores do ensino público não são pagos com regularidade pelo que, sem salário, não comparecem na escola.
A primeira vez que publiquei um vídeo tinha a Eliana, 5 anos, onde mostrava a Eliana a escrever o seu nome, o pai escreveu-me emocionado. Escrevia-a que o filho mais velho de nove anos, embora estivesse a frequentar a escola há dois anos ainda não sabia escrever o nome. Os professores faltavam muito e por isso ele tinha tido muitas poucas aulas.
Em Abril 2016, estive na Guiné Bissau, numa missão organizada pela Fundação João XXIII, durante duas semanas, e nunca vi uma escola pública a funcionar. Não estive em Cátio, mas estive em Buba, a 60 quilómetros. E depois estive em Ondame e também na capital, Bissau.

Em Bissau estive na Cooperativa Escolar de São José, uma escola gerida pelo professor Raul Carvalho e apoiada pela Fundação João XXIII. Havia aulas e tudo corria bem. A Gláucia e o Fernando, tinham pago a escolaridade nessa escola ao Alfa de 8 anos, que também não frequentava a escola quando chegou a Portugal, para fazer uma intervenção cirúrgica cardio-torácica. Era muçulmano e frequentava a escola religiosa da parte da tarde. Não sabia ler nem escrever em Português. Conversando com os pais foi possível saber que não se opunham a que frequentasse uma escola católica, de manhã, para fazer a escolaridade em Português e foi o que aconteceu quando regressou à Guiné Bissau em Janeiro de 2016. Agora, em Setembro de 2018, inicia o seu terceiro ano escolar, na Cooperativa Escolar de São Bento. Aqui um ano escolar completo custa cento e poucos euros. Cerca de quinze euros por mês.

Em Catió, o preço é mais baixo. São cerca de 60 e poucos euros os custos da escolaridade de um criança, anualmente, com alimentação, uniforme e material escolar, no Centro Educativo de São Bento gerido pelas irmãs Beneditinas da Divina Providência, que foram quem nos enviou o vídeo.
A Dina, prima da Eliana, tem a escolaridade paga, por uma madrinha portuguesa, Lília Mota, que respondeu a um apelo que coloquei no Facebook, exactamente para encontrar quem apadrinhasse a escolaridade desta menina.
Geovane, o irmão da Eliana, também frequenta este Centro Educativo e tem a sua escolaridade paga, pela Ana Cristina Figueira, minha colega na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal.



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