No Natal, recebeu uma boneca numa caixa, uma cabeça de gatinha para pentear e fazer tranças, numa caixa em que o que me fez comprar a gatinha foi por ter uma menina como ela, cheia de caracóis e sorridente e ter pensado que poderia dizer que tinham sido os pais que tinham pedido a alguém para lhe comprar esse presente de Natal.
Ela amou, e amou ainda mais a história que lhe contei de como o pai tinha trabalhado muito na Guiné Bissau, para juntar muito dinheiro e mandar comprar este presente extraordinário para ela, a uma pessoa em Portugal para lhe dar no Natal.
Acabava a noite de Natal e o meu filho Francisco arrumava a sala e disse-lhe.
- Olha, Eliana, não precisas da caixa da boneca, pois não? Vou deitar fora.
A miúda virou-se, correu para a caixa e respondeu.
- Não, não, não faças isso. Vou guardar. Um dia, sabes eu não vou brincar mais com ela e posso querer dar a uma menina, minha amiga ou dar a uma menina pobrezinha.
O ar da miúda foi ao mesmo tempo de surpreendida e de suave censura.
- Claro que sim! - respondeu como se explicasse o óbvio - Mas tu gostavas de receber um presente sem caixa?
E é assim. esta capacidade de antecipar, de se colocar na perspectiva do outro, em caridade que nos surpreende todos os dias.
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