sábado, 6 de outubro de 2018

PANQUECAS NO BAIRRO DO CASTELO, LISBOA



Como é habitual, aos fins de semana, vamos até à Rua de Santiago, no Bairro do Castelo, em Lisboa, onde eu tenho um trabalho, a ser desenvolvido.

Num local cheio de turistas, tomar um café é uma aventura mas desta vez, encontrámos lugar, mesmo na rua no  Audrey's Café do Santiago de Alfama - Boutique Hotel.

Eu, o Nuno e a Eliana, com tempo para dar um dedo de conversa e ali estávamos  nós, a escolher o que havia de mais barato ( um café, um euro) para pedir  e a Eliana, a afirmar que estava cheia de fome.

Nada oportuno e já estava eu a pensar optar por pedir um pão e manteiga ( que não possuem no menu mas faz parte das entradas do restaurante) quando um simpático Manuel se aproximou e disse:
- Posso oferecer uma panqueca a esta menina tão bonita?

A minha surpresa foi média e mais baseada no local onde estávamos, cheio de turistas onde o atendimento, tende a ser completamente anónimo quando não é rude do que na oferta, propriamente dita porque, de facto, oferecerem coisas à Eliana é muito comum, em muitos lugares.
A surpresa do Nuno foi completa, achou o gesto completamente inesperado e comentou.
- Realmente, a Luísa, é sempre uma surpresa. Só a si lhe oferecem, assim, coisas. A luísa tem uma estrela da sorte.

É de notar, que conheci o Nuno porque, quando a Eliana estava no hospital, internada, a Barbie que lhe tinham oferecido no hospital, desapareceu da enfermaria e ele, enviou-me um mail a dizer que já tinha encontrado uma Barbie igual e logo que a tivesse a ia levar ao hospital. Eu tinha publicado no Facebook, uma publicação aberta ao público, onde contava este desaparecimento e a tristeza da Eliana.

E, como acho, que não é a mim oferecem  mas à miúda, esclareci.
- Não é a mim, Nuno. É a miúda. O que aqui se passou é o que se passa com ela em múltiplos contextos, é impressionante.
- Acha que é da miúda? - replicou o Nuno
- Acho! - disse eu em tom de evidência.
- Pois! É a luz que ela tem. - ouvi eu o Nuno concluir, ao mesmo tempo que olhava para a miúda, como que, com novos olhos. A miúda feliz, brilhava de felicidade, penso que sem saber muito bem o que se estava a passar mas a avaliar que deveria ser algo de bom.

Entretanto, o mesmo Manuel, voltava com uma série de bonecos de peluche do IKEA, para a miúda brincar, tornando a afirmar que ela era linda e para os turistas que, na mesa ao lado, se voltavam para ver a miúda submersa em bonecas, atirava com a expressão "isn´t she gorgeous?", o que me deu vontade de rir.






Eliana, surpreendida quando chegou a Dona cobra e mesmo antes de chegar o dragão verde.



Manel, Eliana e o mundo imaginário da infância

Ficámos ali um pouco à conversa, ficámos a saber que, o Manel, era o proprietário do hotel e que o ia expandir para o prédio do lado, onde estava instalado o ARCO - Centro de Arte e Comunicação Visual de Lisboa,  tencionando recuperar os jardins do mesmo. Fiquei triste e feliz ao mesmo tempo, porque vivi ali, naquele bairro quando me casei, há mais de 33 anos atrás e toda esta evolução do bairro e a sua ocupação, é um turbilhão de interrogações.


A panqueca veio uns 20 minutos depois mas, a espera valeu a pena. Surpreendeu pela beleza do prato, com três panquecas sobrepostas, rodeadas de fruto e um geleia tipo mel.

A maravilhosa panqueca

Tudo fantástico. Ainda conhecemos Andreia, a gerente do hotel que quando passou na nossa mesa também meteu conversa com a Eliana, perguntando se a panqueca estava boa e não viemos embora sem a Eliana, vaguear pelos diferentes espaços do hotel, de decoração muito colorida e, dela, ter ido visitar as cozinhas.

- Que seria da minha vida sem esta miúda, pensei eu? Certamente feliz como podem ser felizes todas as vidas, mas não era a mesma coisa.

Partilho as fotos com um agradecimento, público, ao Manuel, ao Audrey´s Café e ao Santiago de Alfama-Boutique Hotel.


Sem comentários:

Enviar um comentário

Os comentários são bem vindos. Este é um espaço de aprendizagem e partilha.