quarta-feira, 22 de agosto de 2018

HÁ VIDAS MUITO DIFERENTES


- Eliana, a escola vai começar e é importante treinar ler.
- Não quero. Não gosto.
- Eliana, mas ler é importante. Tu vais para o segundo ano e todos os outros meninos e meninas já sabem ler e tu não. Tu queres isso?
- Tu não sabes que há muitas vidas diferentes? Uns sabem ler, outros não sabem, uns sabem desenhar outros não sabem, uns sabem brincar outros não sabem e é assim!

E pronto! É assim que as crianças nos devolvem o que lhes ensinamos.

CINCOCENTOS - APRENDER COM A FRANCISCA

Eliana, não foi todos os dias à escola, durante os seus seis anos. E por isso, as aprendizagens do 1.º ano de escolaridade ficaram por finalizar.
Assim, os tempos de férias são tempos de aprendizagem e a Francisca, psicanalista e pedagoga, ofereceu-se para dar um ajudinha.
E como é bom ter ajudinhas!

Na segunda-feira mostraram-me o trabalho efectuado.
Contar de uma a dez. Contar de dez em dez. Contar de cem em cem.

Com mais ou menos ajuda, a Eliana, cumpre os objectivos esperados.

- Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove e dez.
- Boa! - exclama a Francisca.

- Dez, vinte, trinta, catorze .... - upsss que a miúda já se esqueceu do quarenta.
- Qua ... ! - corrige a Francisca.

- Quarenta, cinquenta, sessenta, setenta, oitenta noventa e cem.

Parece-me fácil, para a Eliana, esta recitação de números.
O que não sabia é que ela sabia contar as centenas.

- Cem, duzentos, trezentos... - fico admirada por esta nova aquisição que ainda não tinha ouvido, que bom ver a miúda a aprender entusiasmada - quatrocentos, cincocentos ...

- Quinhentos, quinhentos! - corrige a Francisca e ambos rimos enquanto a miúda continua a contar.

- Setecentos, oitocentos, novecentos, cem ....

Ahahahahahahahahha! Aprender é um longo caminho!
- Setenta! 

terça-feira, 21 de agosto de 2018

CHÃO E CÉU

Terra e Céu
Mais um dia, mais um chegar a casa.
Já chegámos ao prédio.
Cansaço e sacos, eu e a miúda, uma atrás da outra.
Com a urgência das coisas por fazer, banho, jantar, deitar a miúda, adianto-me a subir o primeiro lance de escadas. E o segundo.
- Eliana, não vens? Que se passa?
Olho e verifico que a miúda não passou do primeiro patamar do prédio.
- Eliana? - repito cansada e surpreendida.
- Porque a nossa casa não é, aqui, pertinho do chão? - responde-me desolada.

Ora eu, não gosto de tristezas ao fim do dia, principalmente quando de férias e quando sinto que os meus dias são abençoadíssimos, correm bem, resolvo coisas, avanço e resolvo sorrir, "levar na boa".
- Porque é pertinho do céu!!!  - digo eu, super sorridente, e a descer as escadas. - Porque temos uma casa pertinho do céu, não é fantástico?
- Mas eu gosto de terra! - responde-me a miúda surpreendida pela minha boa disposição que a esta hora não costuma ser assim.
- Mas eu gosto de céu! - repito eu  e achei divertidas aquelas frases que me pareciam um poema sobre nós as duas, sempre juntas e tão diferentes "porque eu gosto de terra, porque eu gosto de céu".

E achei graça à conversa e achei divertido convencer a miúda que a nossa varanda do terceiro andar era fantástica porque estamos perto das copas das árvores, do céu das nuvens e de que o nosso bairro visto de nossa casa é tão bonito.

Gostei deste momento, desta conversa que partilho, e até admitido que, percebo muito bem, a Eliana. Não lhe dei razão porque não serviria de nada mas dou-lhe razão.


As casas térreas são mais casas, na minha ideia de casa. Ligam-nos à terra, são mais ligadas ao mundo, à realidade.

Sair da porta de casa para a rua, da porta da cozinha para o jardim, para o campo é mesmo bom. Abrir a casa para o mundo. Nós temos sempre estas escadas, a desligar-nos.

Gostava de ter uma casa térrea mas não tenho. E subimos e descemos, mil vezes, as escadas do nosso prédio até ao terceiro andar, e dou comigo, algumas vezes, a pensar na beleza de uma casa junto ao chão.

Mas nada disto vou partilhar, hoje, com a Eliana. Hoje, vou defender uma casa pertinho de céu e convencer a miúda que gosta de casa pertinho do chão que temos uma casa fantástica.

domingo, 19 de agosto de 2018

TER OU NÃO TER SONO

- Mãe, sabes que eu tinha mesmo sono mas estava a fingir que não tinha?
- Sim? - digo eu, distraída, a abrir a cama para ela se deitar depois de uma, muito dramática, birra.
- Desculpa, por isso chorei! E caí, agora magoei-me na testa. E dói-me!
- Está bem! Fazemos as pazes.- Digo eu aliviada da tensão ter desaparecido.
- Mas olha! - continuou ela - Eu tenho mesmo medo do escuro!!! É sempre verdade. - e deve estar a lembrar-se que se faz birras vai para a cama sem história e sem luz.
E corre, sorridente, pulando em cima da cama para me dar um abraço.
- A minha cabeça é mesmo tontinha! - diz, cheia de boa-disposição depois de desfazer o abraço. Dá mais um pulo, olha-me e deve ter percebido que estou mais mais relaxada ou que os meus olhos brilham e avança.
- Podes ler-me uma história?

Pronto, percebi o objectivo de toda esta argumentação.
Uma vez que, depois de uma birra, não há histórias, nem companhia, fica assim, reposta a normalidade.
- Ok. Escolhe o livro! - respondo-lhe eu, que também gosto de finais felizes.


terça-feira, 14 de agosto de 2018

BOLHA ?

Hoje, lá pelas sete e quarenta da manhã, ou melhor esta madrugada, eu já discutia com a miúda, sobre que sapatos se levam para as actividades de verão da Junta de Freguesia de Belém, sendo que a freguesia em si não interessa para o desenrolar do episódio que vou contar mas a referência a actividades de verão é central.

A miúda faz o segundo turno das actividades, de praia e de campo e, no primeiro turno, cada turno são duas semanas, cinco dias úteis completos, o tema do calçado apropriado para ir para a praia foi objecto de longas conversas e de ordens simples já sem qualquer tipo de paciência matinal, do género:

- VAI CALÇAR, IMEDIATAMENTE, AS SANDÁLIAS COR-DE-ROSA E PRONTO!!!!!!

O que ela acaba de fazer, de cabeça cabisbaixa, ar de martírio total e eu de irritação crescente porque, como já referi, odeio discutir o que é óbvio.


UM DUPLO MARTÍRIO! MEU E DELA!


E um martírio pouco valorizado pois, é um martírio que faz com que as minhas amigas, sem filhos destas idades, ou com filhos a sair destas idades, comentarem divertidas que as crianças são todas assim, teimosas, como se a teimosia fosse um pormenor de somenos importância.

Mas, o meu filho veio de férias ontem e dormia a solto solto, hoje, de madrugada, às tais sete e quarenta da manhã pelo que hoje eu resolvi não gritar:

- VAI CALÇAR, IMEDIATAMENTE, AS SANDÁLIAS COR-DE-ROSA E PRONTO!!!!!!

E disse-lhe, disse à miúda,  que podia escolher, o que quisesse, para calçar achando que estava tanto frio que se calhar nem iam à praia. Tranquilo.

E foi assim que hoje, a miúda aterrou no local onde esperam as crianças para seguirem para atividades de SAPATOS DE VERNIZ. Não há mesmo paciência.

Em casa, deveriam ter ficado as CROCS que comprei numa ilha nas Amoreiras, exactamente,  para a acompanharem nestas atividades de praia e campo mas, como acho que devemos sempre dar uma segunda oportunidade aos teimosos e afins, coloquei as ditas das sandálias na mochila ao mesmo tempo que avisei não simpaticamente

_ VÃO AQUI AS SANDÁLIAS COR-DE-ROSA PARA QUANDO ESSES SAPATOS TE MAGOAREM E PERCEBERES QUE É MELHORES CALÇARES ESTAS, OK?

Nota. Digo tantas vezes, "Ok" à miúda que ela está mesmo convencida que se trata de uma expressão do português mais profundo que ela conhece.

E lá larguei, a miúda,  no ponto de recolha das crianças das atividades de férias da Junta de Freguesia de Belém, ( nota que estas actividades são maravilhosas e eu agradeço profundamente a todas que as  imaginam e põem a funcionar) completamente agasalhada, tipo inverno, o que até disfarçou os sapatos de verniz (ou pele) e segui para a LOJA DO CIDADÃO, que o meu dia hoje tinha essa rota. Eram 8h e 5 minutos, acho que foi o meu melhor momento de entrega de criança de madrugada nas férias.

Ao meio dia, estava a sair da Loja do Cidadão com o assunto resolvido tipo " so far so good" depois de dar resposta ao Ofício XXXYZ da Segurança Social seguindo instruções da funcionária que me atendeu, às duas a almoçar e em amena cavaqueira em Cascais e só voltei a pensar na miúda lá para as cinco para telefonar ao meu filho se a podia ir buscar para eu não stressar no trânsito de regresso a Lisboa.

Chateada de eu não a ter ido buscar, a miúda, já em casa, obedeceu a todas as ordens simples que lhe dei e foi direita ao banho sem grandes protestos. Maravilhoso.
Mas quando já quase pronta, a entrar na banheira, diz-me assim:

- Tenho uma coisa aqui no pé. Uma ferida HORRÍVEL, podes ver?

Com tantas situações de saúde, tão graves , que a miúda atravessa co uma leveza extraordinária, achei estranho que tivesse uma dor horrível e perguntei-lhe se tinha caído.
- Não! Não caí mas tenho aqui uma dor, podes ver?

E pronto, eram, já outra vez, umas sete e quarenta quando eu peguei no pé da miúda, olhei e concluí.
- TENS UMA BOLHA NO PÉ! ISTO É UMA BOLHA NO PÉ CAUSADA PELOS SAPATOS QUE QUISESTE CALÇAR ESTA MANHÃ.

A miúda além da tristeza da dor, claro, nesta altura, olhou para mim interrogativa, como que a pensar no que lhe dizia mas sem perceber e não disse palavra o que é raro.

Eu olhei, confirmei a bolha e continuei cheia de paciência, genuína, porque me deu pena a miúda e sei como as bolhas doem.
- Olha, tens de perceber que foste dez dias às actividades e não te aconteceu nada aos pés porque foste de sandálias fofinhas, de borracha que são mesmo feitas para se andar na praia. Não magoam os pés. Comprei-as mesmo para isso. Com os sapatos da Joana (foi esta Joana que mencionei que lhe deu os sapatos) não dá. São para inverno, escola, meias, collants, percebes? Depois do banho tratamos disso, OK?

E assim foi.
Ela foi buscar a caixa dos pensos com as figuras Disney, eu fui procurar o Bepanténe porque acho que nisto de mazelas de crianças é sempre importante pôr qualquer coisa tipo medicamento para a criança ficar contente e quem sabe a pomada faz mesmo bem, e a miúda, vestiu-se e foi jantar em modo de silêncio.

Foi muito mais tarde,  já tinham passado as sete e quarenta da noite e já via televisão e o penso caiu que voltámos ao tema dos sapatos e das feridas.

Eu entendo, que frequentemente, quando alguma coisa não corre bem e a miúda percebe que foi teimosa ou viveu uma situação adversa mas iniciada por ela própria, a miúda cala-se e não diz palavra. Foi o caso de hoje mas como o penso caiu veio, então pedir-me para lhe colocar outro.

Eu disse que sim que não tinha importância, voltei solidariamente a colocar a pomada e, eu já estava, feliz e tranquila, a pensar que a aprendizagem sobre sapatos para ir para actividades praia e campo, génese de bolhas e cumprimento de ordens simples às sete e quarenta da manhã além do reforça da ideia de quem tem sempre razão sou eu, a adulta, estava tudo super aprendido quando a miúda olhando o pé me diz, calmamente.
- Pois, isto não é uma bolha no pé. É um GALO no pé.

- GALO? TIPO GALO NA CABEÇA? NEM PENSAR. - podia, eu, ter respondido à miúda mas limitei-me a re-afirmar.

- É uma bolha! - e  decidi que não lhe volto a dar a opção de escolher sapatos, às sete e quarenta da manhã enquanto durarem as actividades da praia campo da Junta de Freguesia de Belém
As sandálias cor-de-rosa

GUINEENSE NO CORAÇÃO

Imagem tirada em casa ao fim do dia


A miúda, com 7 anos, pintava a cara de branco.

Perguntei o que fazia e respondeu, ser não guineense.
Respondi, mas tu és guineense, faz parte de ti, não podes não ser o que és.
Respondeu sou no coração. Não quero ser na pele.
Perguntei que lhe acontecia na vida, no mundo, para tantas e tantas vezes, a cor de pele ser tão fundamental a definir a sua vida e o seu mundo mas não lhe respondi. Não disse nada.

A cor de pele e não a cor dos olhos, a cor de pele e não a cor do cabelo, a cor de pele e não a cor do mundo.

O PAPEL PROTECTOR DA IMAGINAÇÃO


Conversa, no fim do dia de domingo, depois de termos desmarcado, um almoço, com a Catarina Maia, mãe número dois, e a miúda ter ido para a praia, com três amigas minhas e seus filhos.

- Sabes, encontrei a mãe, numero dois, na praia.- diz a miúda.

- A sério? Pensava que estava no Algarve.- comento eu.

- Pois está. Eu estou com mentirinhas. - responde a sorrir, divertida.

Frequentemente, surpreendo-me, com a velocidade com que a Eliana, entra num mundo imaginário. A maior parte das vezes, pega num livro e finge que lê. 
Mas também acontecer, na sala de espera do gabinete de enfermagem, enquanto esperamos a nossa vez, para o tratamento injectável, começar a relatar, sozinha, uma qualquer história sobre duas coisinhas que encontrou numa mesa ou, aqui em casa na varanda, estar na piscina a rir e a conversar com uma amiga, sobre quem consegue mergulhar,  mais fundo, numa piscina de plástico com dois dedos de água.

Então, fico a pensar, quanto precoce pode ter sido este comportamento de recurso à imaginação para lidar, com tenacidade, contra a adversidade e como pode, a imaginação, servir para preservar a alegria e a vontade de viver.

Muito espantoso. Vida abençoada, esta minha vida, que tanto aprendo com esta miúda.

Eliana com Catarina, mãee n.º 2, num dia de praia.

JUMBA?

A ver um número antigo da revista National Geographic Portugal, num café, enquanto esperamos a consulta, da agora denominada, "psicaclista" ou seja psicanalista, a miúda comenta.

- Olha, é uma menina. Um leão-menina.

E eu distraída.

- Estás a ver? É uma leão menina. - repete e, nitidamente a chamar-me a atenção, acrescenta com segurança - Uma LEOA.

Interrompo o que estou a fazer e penso que a miúda, quem sabe, está a esforçar-se para fazer comigo, uma conversa sofisticada e dou-lhe a atenção, por ela, desejada.
- Ah! ... Sim! - e pego na revista com um ar observador e atento.
Ora eu, que desde o tempo dos meus filhos e com os meus estudantes, acredito que o esforço intelectual deve ser sempre estimulado e recompensado, e decido, então, participar ativamente no tema, com uma pergunta inteligente.
- Olha, e como sabes que é uma leoa? - pergunto, ao mesmo tempo como se fosse óbvio para mim e a não para ela e, por isso, um desafio.
A miúda, que gosta de desafios, pára de comer a tosta que estava a comer com imenso prazer, olha para mim .de olhos esbugalhados e exclama triunfante:
- Não tem JUMBA!!!!!
- Jumba???? 🤔
😮 🙄
- Upssss! Será que estou a levar, demasiadas vezes, a miúda ao hipermercado?
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣😀

Imagem semelhante à da capa da revista 



OBRIGATÓRIOS. SÓ POSSO DIZER OBRIGATÓRIOS?

Ainda cheia de energia, mesmo depois de oito horas de actividades de praia-campo, maravilhosamente geridas pela Junta de Freguesia de Belém, depois de atravessar a cidade para ir à psicanalista e de volta a casa, falávamos sobre o que iríamos comprar ao supermercado e a miúda diz-me qualquer coisa, assim:
- É, é. É bué giro. Bués giro. Bués!

Não gosto de ouvir a miúda, a dizer "Bués" e, em casa, está proibida sendo que eu, e o meu filhos, fazemos coro em eco, em sintonia completa, neste proibição.

Logo, no nano-segundo imediato estava eu a repetir-lhe

- Criança! - e aqui o uso da palavra criança foi logo para colocar a nossa conversa, no contexto evidente, da assimetria das nossas vontades - Existem milhares de palavras para usares, logo, não uses "Bués! que eu não gosto. Usa "muito", "bastante" ou "imenso". OK? Essas palavras é que são para usar, não é "Bué" ou "Bués", OK? - conclui eu.

Resposta, pronta, da miúda já em tom reivindicativo

- Mas ... mas ... na minha escola, os meninos dizem. Dizem "Bué bués". E eu, também, quero dizer!

Odeio discutir trivialidades, irrita-me, e acho que, as plataformas de entendimento, são espectaculares para serem usadas, no nosso dia a dia, principalmente, quando se trata de regras de etiqueta, completamente arbitrárias que os adultos impõem às crianças (mas que eu imponho, na mesma, porque fui educada assim) e assim, resolvi finalizar, a conversa, com argumentos de peso.

- Olha, PRIMEIRO, a tua escola já não é a tua escola porque não vais continuar na mesma escola, logo, não tem sentido andares a anunciar que falas como os meninos da tua escola porque, ainda, nem os conheces e SEGUNDO, e mais importante, eu não te quero ouvir a dizer isso e eu, que sou a adulta, já te disse, muitas vezes que não se usa "bué" . Podes dizer, apenas , "muito giro"? OK?


A miúda, ficou em modo de "criança entusiasticamente revoltada"!


- QUÊÊÊÊÊÊ?- exclamou, dramaticamente - Agora, tenho de dizer tudo, que tu queres? É isso?

Tendo a conversa atingido este patamar de consenso, eu concordei, acenando com a cabeça e, obviamente, fiz o meu sorriso vitorioso o que alimentou, mais uma vez, a discussão pelo que ela continuou.

- É obrigatório? Agora só posso dizer "obrigatórios"? Achas bem? Achas? - e a miúda já estava em modo de profundo discurso ideológico.

- Então, era assim, os pais diziam aos filhos, o que eles falavam e eles, falavam tudo que os pais queriam? Achas bem? Só falavam "obrigatórios"? Achas bem?

Acredito, que as fronteiras entre uma criança educada e cordata e uma criança impertinente e mal-educada, podem nem sempre estar bem definidos na minha cabeça porque acho imensa graça à irreverência intelectual e, por vezes, tenho dúvidas sobre o caminho que traço na educação desta miúda e quando desato a rir, a ouvir a miúda usar estes argumentos hilariantes. E, também, prevejo que, com a idade, esta graça vai passar e eu vou deixar de rir, por tudo e por nada logo estamos apenas numa fase feliz da infância. Por último, acredito que será bom se tiver alicerçado na miúda, um pensamento crítico fundamental à vida, associada a um forte entendimento das vantagens de viver bem com os outros, vai ser bom para ambas, para o nosso futuro conjunto ou para o futuro dela seja com quem viva, no futuro.

E foi assim, mais um dia, antes do supermercado, banhos, jantar, cama, história e sono profundo (de ambas).

Abençoadas, férias da Junta de Freguesia de Belém! Amanhã, entre as 8h10 e as 17h45m, descanso o exercício da parentalidade.

OK, É INGLÊS?

A ver no YOUTUBE vários excertos do musical Mamma Mia, a tentar aprender o refrão de algumas das canções e respectivas coreografias e depois da semana de actividades no British Council, a miúda, três meia volta, propõe falar inglês no carro.
E como não sabe vai perguntando repetidamente.
- E como se diz " Vamos jogar um jogo"? E como se diz "vamos jogar o jogo dos carros"? e eu vou respondendo em inglês isto e aquilo e como ela sabe dizer "Yes" e "No" e "Thank you" as conversas até ficam, mais ou menos, fluidas.
Foi o caso de ontem antes da discussão dos "bués".
- Como se diz, vamos jogar?- pergunta
- Let's play the game!- digo eu
- Létis pilei de gui mi - repete ela
- Os meus são os brancos. Como se diz brancos?
- White - digo eu
- E os teus são os pretos. Como se diz pretos?
- Tu sabes, pensa lá. - responde eu
- Black!
- Boa! - digo eu, que sabia que ela sabia.
E passa um carro branco por nós.
- Já ganhei. Como se diz tenho um ponto? - pergunta ela
- Podes dizer, "one point" - digo eu
- Ok! - responde ela devendo ter achado mais fácil do que o previsto porque sabe bem os números em português
- Como se diz "Ok" em inglês? - pergunta logo a seguir
- OK! - respondo eu já a começar a rir.
- Em português? ... OK? ... Diz-se em português "Ok" em inglês?

😄😀🤣só me lembrei do dia em que fui aos EUA e olhei para um sinal de STOP, na estrada e também achei que, de repente, estava escrito em português.