Tem menos de dois anos e veio para Portugal com um processo de evacuação médica ao abrigo dos acordos que ligam Portugal e alguns dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, para assegurar assistência médica em Portugal aos cidadãos destes. Entre eles, encontra-se um dos países mais pobres do mundo, a Guiné Bissau.
Não sei, quanto este menino esperou para ser evacuado, quanto tempo a sua mãe rezou para que viessem cedo para Portugal e voltassem depressa a casa, mas o tempo desta espera, marca o seu pequeno corpo deformado.
Está quase cego.
A mão esquerda permanece fechada a contrastar com a direita.
A perna esquerda dobra-se ao peso, a direita não suporta o corpo.
Não sei, quanto este menino esperou para ser evacuado, quanto tempo a sua mãe rezou para que viessem cedo para Portugal e voltassem depressa a casa, mas o tempo desta espera marca o seu curto desenvolvimento.
Não fala.
Não bate palmas.
Não gatinha.
Não sei, quanto este menino esperou para ser evacuado, quanto tempo a sua mãe rezou para que viessem cedo para Portugal e voltassem depressa a casa, mas o tempo desta espera marca o amor dos dois.
Não é bom ser doente na Guiné Bissau.
Não é bom ser considerado uma desgraça.
Não é possível, na pobreza, mudar o mudo.
Leio todas as complicações que teve em bebé e penso na imensa regalia que é termos acesso aos cuidados de saúde primários, estarmos na Europa. tantas limitações que se poderiam ter evitado com medicamentos de acesso fácil na Europa.
Este menino teve complicações e hoje tem graves sequelas porque nasceu na Guiné Bissau, sem acesso a saúde e quando a teve, através do processo de evacuação médica, foi tarde.
Este menino de sua mãe. Este menino de sua mãe.
Não foi à guerra. De balas não foi trespassado.
Lá longe, em casa, há a prece: "Que volte cedo, e bem!".
Este menino de sua mãe. Este menino de sua mãe.
Que malhas este Império tece! ( Fernando Pessoa)
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| O menino de sua mãe |

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