sábado, 12 de maio de 2018
TODOS MORTOS
São oito da noite e já estou cansada de um dia cheio de actividades logo resolvo cortar a conversa.
- Olha, mas tu não vais comer camarões? Não estavas a dizer que querias? Então?
- Sim! - responde ela, sempre de argumento pronto - Vou comer porque estão todos mortos.
E continua.
- Achas que ia comer se estivessem vivos? Coitadinhos, já não vão ter filhos filhos das suas barrigas invisíveis.
Bem, deixo as preocupações ecológicas e centro-me neste dado novo "barrigas invisíveis". Nunca a tinha ouvido falar disto.
- Barrigas invisíveis? Que é isso?
Explicação pronta.
- Olha, os peixes estão com os filhos dentro da barriga mas não se vê. São muitos, muitos filhos. Sabias?
Nesta altura começo a pensar que o meu gosto por ovas está a ser profundamente questionado.
- Pois. Mas sabes se não os tivessem morto não se comiam. É assim, comemos o que matamos. Agora só queres comer sopa? Legumes?
E houve ali um minuto de silêncio constrangedor para ambas.
- Não, eu também gosto muito de plantas.
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