- Mãe, não contes a minha história! - disse-me a Eliana.
Hoje, faço reflexões em torno da privacidade das crianças, da sua história de vida e do sentido, do sofrimento, na vida das crianças e das suas famílias.
Neste "Dia Internacional de Erradicação da Pobreza" debato, dentro de mim, a opção de não mais falar da Eliana e da sua história, como ela me pede, versus ,a Eliana ser uma criança com uma história de vida, que transformo no rosto de uma causa, provocando a discussão, semeando novos futuros, angariando recursos.
Como lidar no dia a dia, em casa, na escola, no hospital com perguntas sobre quem é a Eliana e porque está comigo, quando tanta pergunta salta à vista quando nos olham?
Como lidar quando o laço biológico é continuamente posto em causa, quando até poderia existir, lado a lado, com o afecto que nos une?
Não poderia a Eliana ser, minha neta, filha de um dos meus filhos?
Como ignorar, que a Eliana, tem uma família que a ama e a segue, sempre que pode, procurando novidades, vendo-a no Facebook, alegrando-se e orgulhando-se, por cada conquista, cada passo dado?
Como ignorar, que a Eliana, tem uma família que a ama e a segue, sempre que pode, procurando novidades, vendo-a no Facebook, alegrando-se e orgulhando-se, por cada conquista, cada passo dado?
Como não valorizar, toda esta ligação à Guiné Bissau, se é da Guiné Bissau que a Eliana, é?
Como fazer silêncio de uma parte da vida que deu vida à Eliana mesmo que a vida, nessa vida, estivesse tão ameaçada e a possibilidade de regresso, não tenha data prevista?
- Mãe não digas isso, não contes a minha história ! - esta expressão é uma vontade da Eliana que quero ouvir e integrar na nossa vida, mas construir, contos de fada, em que o presente é construído sem passado, também não é nem nunca será, a minha opção. A Eliana, eu sinto, muitas vezes fantasia o desejo, de ter nascido aqui, como todas as outras crianças que conhece, nesta família e nesta mãe que conhece e pronto. Mas não é assim.
Acredito que a Eliana, na sua incrível história de vida, é uma força de mudança e que a sua história de vida, será a raiz da sua identidade.
Depois tenho imensas interrogações quando me falam na Eliana e no direito que ela tem à privacidade, ao não revelar da sua história de vida e penso como, aqui na Europa, não somos indiferentes à exposição pública de uma criança, que criticamos e nos choca, mas somos indiferentes à pobreza?
Como não nos choca profundamente, mais e mais do que tudo na história de vida da Eliana, a impossibilidade de acesso de uma criança, à saúde acompanhada da sua família mas sim o facto de eu divulgar tantas fotos e histórias dela?
- Mãe não digas isso, não contes a minha história ! - esta expressão é uma vontade da Eliana que quero ouvir e integrar na nossa vida, mas construir, contos de fada, em que o presente é construído sem passado, também não é nem nunca será, a minha opção. A Eliana, eu sinto, muitas vezes fantasia o desejo, de ter nascido aqui, como todas as outras crianças que conhece, nesta família e nesta mãe que conhece e pronto. Mas não é assim.
Acredito que a Eliana, na sua incrível história de vida, é uma força de mudança e que a sua história de vida, será a raiz da sua identidade.
Depois tenho imensas interrogações quando me falam na Eliana e no direito que ela tem à privacidade, ao não revelar da sua história de vida e penso como, aqui na Europa, não somos indiferentes à exposição pública de uma criança, que criticamos e nos choca, mas somos indiferentes à pobreza?
Como não nos choca profundamente, mais e mais do que tudo na história de vida da Eliana, a impossibilidade de acesso de uma criança, à saúde acompanhada da sua família mas sim o facto de eu divulgar tantas fotos e histórias dela?
Como não nos choca, mais do que tudo, a permanência de uma família na pobreza extrema, média ou em qualquer outro grau, que a sinta?
Os números de crianças que morrem, por falta de condições básicas de vida, não é proibido?
A mortalidade materno infantil, não é proibida?
A ausência de saneamento básico, não é proibido?
A ausência de acesso a água potável?
A devastação do ambiente? A não sustentabilidade ambiental?

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