A mãe já tinha vindo para Portugal, a 23 de Fevereiro desse ano, procurando uma vida melhor para si e para a sua família.
Conheci o Viktor, no gabinete de apoio às situações de indisciplina da escola que frequentava. Tinha uma suspensão, por mau comportamento, e não a estava a aceitar, como justa. Uma suspensão que se seguia a um sem número de saídas de sala de aula, por indisciplina grave, desrespeito na relação com professores e colegas, recusa em fazer o trabalho escolar.
Por razões, que a razão desconhece, apaixonei-me pelo Viktor, desde o momento que o vi. Tocou-me a sua fragilidade, a vítima que o agressor escondia, o ar perdido, o mudo pedido de ajuda que me transmitia.
E pela mãe, que nesse dia foi chamada à escola, para tomar conhecimento e assinar a suspensão do filho, que partilhava o mesmo ar atordoado, o mesmo pedido de ajuda, o mesmo desespero mudo.
Apaixonar-me, neste contexto profissional, significa sentir uma empatia especial, pelo ser humano que encontro, uma curiosidade especial pela sua história de vida e pelos acontecimentos que o colocaram, naquele momento, numa situação tão adversa ou desprotegida ou de zanga com o mundo. E o empenho que sinto em me envolver, de conhecer mais, de possibilitar a mudança que coloque "um mundo de pernas para o ar", no seu lugar.
Amo a zona humana onde desenvolvo o meu trabalho profissional, as escolas, os alunos, os professores, os pais, familiares e responsáveis. A escola é um cruzar imenso de histórias de vida, de anseios e sonhos, de vitórias e falhanços, de luta. É a minha praia.
E o Viktor, também se apaixonou por mim, ligou-se àquela mulher que percebeu que não era uma professora, que não conhecia mas que tinha poder de decisão e, principalmente, que lhe pareceu que estava do seu lado, a dar-lhe uma nova oportunidade.
O ano passado descreveu a sua relação comigo a uma psicanalista que o ia começar a seguir como "Somos amigos" e definiu muito bem.
Trouxe o Vitkor para a minha vida, para lá dos muros da escola, como se fosse um sobrinho mais.
Temos imensa empatia o que facilita a mudança no Viktor e o apoio da mãe foi fundamental. Também somos amigas. Foi um processo mais demorado, com muitos avanços e recuos mas de professora Luísa, passei a amiga.
Depois conheci a Viktoria, a irmã pequena, e o pai, também Viktor. Como todos, as relações foram fáceis e mutuamente desejadas.
E, por isso,
quando a Eliana chegou, um tinha toda uma família, imigrante, a saber o que era viver fora do seu país para me apoiar com a Eliana.
Essa ponte necessária entre o passado e o presente, foi o Viktor que o fez, o meu agradecimento é imenso.
Fica aqui o testemunho
Fantástico, querida Luísa. Beijos meus para ti e para essa família. :-) <3 <3
ResponderEliminarMargarida, já me consegui organizar para escrever num blogue! Estou feliz! Ainda bem que gostas!
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