A miúda tem fibra e teve fibra desde o primeiro minuto em que chegou. Por vezes, eu sinto que me dizem que a miúda é assim, e assim, por causa da educação que lhe dou mas, a experiência que eu tenho, é que ela é assim e assim, porque é assim. 😀
Relembrando, a Eliana chegou a Portugal, numa condição de saúde muita debilitada e foi internada no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, no dia seguinte, dia 28 de Julho de 2016.
Dia 29 de Julho, fez 5 anos no Serviço de Cardiologia Pediátrica do Hospital de Santa Cruz, em Portugal.
A 3 de Agosto, o médico informou que ela ia fazer um cateterismo, que por volta das sete estaria despachada, a recuperação rápida costumava ser rápida e voltaria à enfermaria.
Nesse tempo, eu ainda não era completamente envolvida com a Eliana, como sou hoje, logo, ela foi fazer o cataterismo e eu vim para casa, tranquila, para voltar às sete ao hospital e ver se estaria tudo bem.
Mas aqui por casa , as coisas complicaram-se, tive um surpreendente pedido de entrevista via telefone de uma jornalista da Lusa, por causa de uma publicação que tinha colocado no Facebook, a pedir famílias de acolhimento para Coimbra, para crianças guineenses em tratamento médico, evacuadas da Guiné Bissau para Portugal, como a Eliana e atrasei-me.
Só fui para o hospital, quase pelas nove da noite, mergulhada em culpabilidade da criança já ter feito o cateterismo, acordado e ido para a enfermaria e eu, nem lá estar.
Assim, entrei no hall do hospital, a maldizer o meu feitio de atrasada.
- Venho ver a menina Eliana Na Cofa, está no Serviço de Cardiologia Pediátrica. Posso subir? Ela fez, hoje, um cateterismo.
- Um momento vou ver! - disse o recepcionista, que ali no Hospital de Santa Cruz, são de uma calma e amabilidade, surpreendentes.
E eu olhava para os elevadores, a subirem e a descerem, a imaginar-me a entrar na enfermaria, no quarto andar, para saber da miúda, a pedir mil desculpas por não ter ido, mais cedo.
Acordei desta antecipação de vida, em modo de atraso, com o recepcionista, a dizer-me.
- Minha senhora, a menina Eliana, está nos Cuidados Intensivos, ainda não subiu.
Cuidados Intensivos?
EU GELEI!
- Mas, o que é isso de cuidados intensivos? Mas o que se teria passado ali no hospital enquanto es estava, em casa, no relax????
- Como era possível, estar a acontecer alguma coisa à miúda e eu nem estar ali?
Imediatamente, mil pensamentos voavam e embatiam, uns contra os outros. No meu pensamento, um mini caos, instantâneo estava instalado.
- Nos Cuidados Intensivos? Mas, eu, posso vê-la? - perguntei aflita, de chave no carro na mão, a sentir-me sem chão.
- Nos Cuidados Intensivos, as visitas acabam às nove mas a senhora vá, até lá, e pergunte. É ali! - e o senhor, apontava-me para uma, muito anónima, porta de madeira ,com batentes e janelas redondas tipo vigia de barco, que eu nunca tinha suposto que daria acesso a algo, tão dramático, como uma Unidade de Cuidados Intensivos.
Frequentemente, eu desenvolvo visões cor-de-rosa do mundo e para mim, aquele hospital, resumia-se a uma enfermaria, super simpática, cheia de enfermeiras, super simpáticas e atenciosas, crianças que até brincavam e viam televisão e aquele filme de Unidades de Cuidados Intensivos, por detrás de portas, de aspecto não hospitalar, trouxe-me inquietação. De certa forma, mudava radicalmente a minha visão, cor-de-rosa, de hospital.
Respirei fundo e lá fui, porque sou de natureza corajosa, à procura da Unidade dos Cuidados Intensivos, e encontrei um botão de chamada, já numas portas brancas de aspecto hospitalar, toquei e aguardei, conforme indicação escrita, em aviso, colocado na porta, tudo conforme esperamos em contexto hospitalar. A realidade, começava a doer.
- A Eliana Na Cofa? Vinha saber dela! - perguntei a uma pessoa que me veio abrir a porta vestida, como eu esperava encontrar, num serviço de Cuidados Intensivos.
- A Eliana? Ainda não acordou! A esta hora já não há visitas. - disse-me séria - Está tudo bem.
- Mas, não posso vê-la? - insisti eu - Só quero vê-la e vou embora. - e sorri, com o melhor sorriso que encontrei, no meio da ansiedade crescente.
Nestas alturas, em que quero algo, esqueço a culpabilidade e retomo, o meu modo de funcionamento esperançoso.
A senhora sorriu, condescendente, e disse-me que sim, desde que fosse só um minuto e foi, a primeira vez, que entrei numa Unidade de Cuidados Intensivos com aquele peso. Já tinha ido ver o Alfa, aos Cuidados Intensivos no Hospital de Santa Marta, mas o miúdo estava acordado e tudo me tinha parecido mais semelhante a uma enfermaria ou então já me tinha esquecido do stress com o Alfa porque correu tudo super bem.
Tive ali o compasso de vestir a bata, atravessar o corredor de acesso e entrar e fiquei esmagada por todo o aparato tecnológico. Não lido com hospitais, não me lembro de ter ninguém doente, esqueci a Justina, o Ussumane, o Samba e o Betcho que estiveram em Coimbra e que visitei esporadicamente, lembrei-me apenas do meu colega Carlos mas que nunca esteve ligado a nenhuma máquina, logo, comecei a procurar a miúda, em modo de tensão.
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| O aparato tecnológico de uma Unidade de Cuidados Intensivos |
A miúda dormia, estava ligada a uma torre de distribuidora de medicamentos, e, pareceu-me transparente mas tranquila.
Toda a sala, respirava tranquilidade, com uma enfermeira à cabeceira de cada cama com, talvez cinco camas na sala.
- Upss, que isto é sério! - pensei eu que, como já tive ocasião de referir, sempre penso uma visão cor-de-rosa do mundo.
Emocionei-me.
Não estava à espera que, a miúda, fosse parar a uma sala de Cuidados Intensivos, pensei que um cateterismo era tipo banal e acho que estava a começar a consciencializar que, tinha dito sim, ao acolhimento de uma criança, verdadeiramente doente.
- Vou ficar lá fora até ela acordar. Pode ser? - disse eu, à enfermeira, com o ar mais voluntarioso que tinha no meu cardápio de vozes "é melhor não me contrariares".
- Quando ela acordar, avisa-me, pode ser?- conclui.
- A senhora, não vai poder voltar. Os pais só podem ficar até às nove da noite. É melhor ir para casa e, amanhã, já vai poder vê-la, de novo.
Olhei, a senhora enfermeira, de frente e voltei a afirmar.
- Vou ficar! Estou lá fora, na entrada.
E lá fui, para a entrada.
Devo ter falado à Gláucia, a contar o que se estava a passar e estava eu, a lutar contra o cabecear de sono, quando me apareceu uma senhora, ao meu lado. Seria a Sofia? Mais tarde, conheci a Sofia, no hospital. É auxiliar e está nos Cuidados Intensivos.
- Olá! Vimos perguntar se a senhora pode entrar para vir ter com a menina.
- Ir ter com a menina? - passou-me logo todo o sono e fiquei toda animada.
- Quer dizer que a miúda estava acordada e viva. -pensei
- Sim, claro que sim! Mas que se passa?- perguntei, já a levantar-me
- A menina acordou, mas não quer beber nada. Recusa tudo.Talvez seja melhor, a senhora, vir falar com ela. - explicava-me, a funcionária, enquanto, eu, já vestia a bata, para entrar nos Cuidados Intensivos.
- Falar com ela? - pensava eu - Como havia eu de falar com ela se eu só sabia falar português e ela só sabia falar balanta e crioulo?
Nesta altura, no entanto, não me pareceu nada relevante abordar esta subtileza linguística porque eu queria, mesmo, era ver a miúda.
E vi.
Deitada na cama, com um ar francamente debilitado, Eliana, olhou para mim, sem sorrir. Dei-lhe a mão e falei-me baixinho.
- Como bu stá? - e era mesmo a única frase que eu sabia dizer em crioulo da Guiné Bissau - Stá dreta?
A miúda, deu-me a mão e olhou para mim, respirava de boca aberta e achei, mesmo, que deveria ter sede.
A enfermeira, tinha o copo de água na mão que ela deveria tomar e deu-me para eu lhe dar mas, quando eu aproximava o copo e ela gemia e virava a cabeça.
- Água - repetia eu baixinho - Tens de beber água, amor!
Mas nada, a miúda virava a cabeça e nada.
A enfermeira tinha ainda bolachas Maria e iogurte como opções para ela mas a nenhuma destas opções, ela parecia dar, qualquer importância. Recusava tudo.
- A senhora, tem de lhe explicar que ela tem de beber a água e comer qualquer coisa para poder sair daqui. - falava-me a enfermeira, com calma - Acha que a consegue fazer perceber? Ela costuma ser assim?
- Ela costuma ser assim? Sei lá eu, como ela costuma ser, se a miúda acabou de aterrar, em Lisboa, vinda do outro lado do mundo? Eu só sabia uma coisa que era que, ela não gostava de iogurtes porque os tinha recusado, nos dias anteriores, nos lanches do internamento.
O resto não sabia mais nada. Sentia-me impotente.
E olhava para a miúda e pensava no que ia fazer.
- Sofi! Vou ligar à Sofi! - e a ideia pareceu-me extraordinária.
Já tinha usado, essa estratégia, com o miúdo Alfa, também guineense, quando lhe queria explicar qualquer coisa, mais séria ou mais sofisticada, ligava à Fanta ou à Sofi, ambas mulheres guineenses, a viver, em Portugal, desde há muito tempo e elas falavam, em crioulo ou fula, com o miúdo e eu ficava sossegada que tinha dito ao miúdo o que o miúdo tinha de ouvir. O miúdo era fula.
- Sofia, podes falar com a Eliana ao telefone e explicar-lhe que para ela ficar melhor e sair de onde está aqui nos Cuidados intensivos e voltar à enfermaria tem de beber e comer qualquer coisa? - perguntei, eu ,à Sofi que, graças a Deus, me atendeu o telefone, logo, na primeira tentativa.
- Luísa, ela está nos Cuidados Intensivos? Passa o telefone que eu falo com ela. - Sofi, também veio para Portugal, com o filho, com uma cardiopatia, ao abrigo do mesmo Acordo de Saúde que trouxe a Eliana, logo sabia do que eu estava a falar. Essa familiaridade da Sofi com o tema, sossegou-me.
Coloquei o telefone, no ouvido da Eliana. A Eliana, ouvia atentamente, o que a Sofi lhe falava ao telefone, penso que ainda acenou com a cabeça, uma ou duas vezes, mas falar, nada.
Voltei a falar ao telefone com a Sofi depois de voltar a insistir com a Eliana para que bebesse água ou comesse uma bolacha. Nada. Colocava a mão, em frente da boca e voltava a cara para o lado.
Recusa total. Mas sede tinha, quase de certeza.
Liguei de novo à Sofi, que, desta vez, do outro lado do telefone, ria divertida. Fiquei perplexa. Para mim, a situação era dramática, de falha total de comunicação com a criança, numa situação de fragilidade máxima..
- Luísa!- falou a Sofi - Estão aí mais miúdos nos Cuidados Intensivos, não estão? - eu disse que sim, em cada lado da ampla sala dos Cuidados Intensivos, havia uma cama e uma criança a lutar pela vida. - Olha Luísa, a Eliana está a ver os outros miúdos doentes e a pensar que foram todos envenenados, percebes? Por isso, estão tão mal.
- Envenenados? - já não me lembrava de ter ouvido associar, envenenamentos, a situações de doença.
A Sofi, continuava divertida.
- Ela é pequenita. Vais ver que ela julga que os miúdos todos foram envenenados com comida. O que tu tens de fazer, antes de lhe dar água, é tu beberes a água, percebes? Depois com a bolacha, tu pões na tua boca, mastigas e depois tiras e dá-lhe. Vais ver que ela, assim, come.
Achei surreal mas fez-me sentido. A miúda, deitada ,olhava para mim e eu, de copo de água na mão, pronta para experimentar.
Desliguei o telefone e experimentei.
Peguei no copo, bebi um golo de água pela palhinha, mesmo em frente da Eliana, para ela ver bem o que eu fazia e, depois, dei-lhe, a mesma palhinha ,para ela beber.
😀
Foi mágico. A miúda aceitou a palhinha e bebeu.
Sorrimos ambas. Passei à bolacha Maria. Peguei na bolacha, parti um pedaço, meti na minha boca e dei-lhe.
A Eliana não gosta de bolachas. Sempre as tinha recusado, lá em cima, no internamento mas aceitou. Comeu, engoliu e disse-me.
- Pon! - ou seja pão.
Eu achei fantástico, estávamos a comunicar mas o objectivo era que comesse a bolacha.
- Olha querida, tem de ser bolacha, aqui não há pão. Só bolacha.
- Pon! - repetiu-me, visivelmente mais animada.
- Não tenho pão.- sublinhei eu.
- Pon! - e fechou a boca, a reforçar a negação.
A enfermeira olhava para nós, ali próxima e eu perguntei-lhe
- Pode ser pão, em vez de bolacha? - e esperei a resposta.
- Poder pode! - respondeu a enfermeira - mas nós não temos pão, aqui em baixo.
- Mas, eu posso ir comprar? - sou uma mulher prática e achei, tipo óbvio, que se não havia pão, eu ia comprar.
- A esta hora? - surpreendeu-se a enfermeira, consultando o seu relógio de enfermeira e confirmando que já passava das dez e meia, da noite.
- Minha senhora, a esta hora, aqui, já está tudo fechado.
Sou de natureza teimosa e como já disse e repeti e vou escrever outra vez vejo sempre o mundo numa visão cor-de-rosa, pelo que respondi.
- Não faz mal, eu vou tentar. Posso sair, comprar e voltar? - e eu, já era toda sorrisos, a pensar no sucesso desta iniciativa.
- Pode! - anuiu a enfermeira.
E foi assim, que poucos dias depois da Eliana chegar a Portugal, lá estava eu, na minha primeira aventura, surreal, a procurar pão, quase às onze da noite, a pé, ali, em redor do Hospital de Santa Cruz. Mal sabia eu que, este tipo de aventuras, se iriam repetir, vez atrás de vez, até fazerem parte do nosso quotidiano e deixarem de ser, algo surreal.
Saí do hospital e tudo fechado. Logo em frente, os cafés, todos fechados, ao longe as luzes do MacDonalds, e já estava a pensar que era melhor ir ao parque de estacionamento buscar o carro, mas a descer a rua do hospital, quando vi as luzinhas do senhor João.
Agora, dois anos depois deste episódio, sei que o café que tinha as luzes acesas é o do senhor João. Uma simpatia. Fomos lá muitas vezes, eu e a Eliana, eu e a Rita, colega da Eliana mais a mãe Guida, eu e as outras mães do hospital, a Eliana e a Margarida, que tinha o irmãozinho desde recém-nascido, internado no hospital, de quem somos amigas até hoje. Olá Inês, mãe da Margarida! Olá Guida!
De facto, ao aproximar-me, vi que as luzes eram efetivamente de um restaurante-mercearia, que já estava de porta fechada mas que eu bati e o senhor que acabava de limpar o chão da loja, abriu a porta.
- Boa noite, desculpe. Olhe, eu venho, ali do Hospital de Santa Cruz, à procura de pão. Tenho lá uma miúda internada, nos Cuidados Intensivos que devia comer bolacha Maria mas quer pão. O senhor tem um pão, que me dispense?
O senhor olhou para mim, levou uns segundos a processar o que eu lhe estava a dizer e respondeu-me, a poisar a esfregona encostada a uma parede.
- Claro que sim!
E eu respirei aliviada. A aventura, tinha sido mais fácil, do que eu julgara.
Embrulhado num papel, momentos depois, o senhor, dava-me o pão que eu precisava.
- Quanto é? - disse eu, encantada.
- Minha senhora, não é nada! - disse o senhor, um rapaz novinho, a pegar, novamente ,na esfergona.
E despediu-se, desejando as melhoras da menina.
Voltei ao hospital feliz, com o coração a bater acelerado pela generosidade daquele desconhecido e claro, a Eliana comeu o pão, perante o ar divertido e satisfeito das enfermeiras.
É claro, que foi preciso que eu colocasse o pão, na minha boca, antes de lhe dar, pedaço a pedaço, mas comeu.
Ainda, ali fiquei, um bocadinho, até ela adormecer, com a mão dela, na minha mão e acho que este foi um momento decisivo nas nossas vidas que marcou o início desta imensa aventura que é ter, a Eliana, na minha vida.
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| Mão na mão na UCI |
- Essa miúda é muito esperta! - disse a Sofi.
E estava cheia de razão.


Uma história comovente. Gostei muito de ler.
ResponderEliminarEsta imagri das vossas mãos é qualquer coisa de maravilhoso e de tão significativo Luísa!!! Enorme bjnho
ResponderEliminarQue relato emocionante!!! ❤️❤️❤️ Beijinhos!
ResponderEliminarManuela Queirós ( Publicado no Facebook) Acho que a foto das mãos, diz tudo. Penso que para a Eliana as mãos da Luísa, eram o seu porto de abrigo...as mãos da mãe que estava longe...
ResponderEliminarSofia Afonso (publicado no Facebook) Essa miúda é um espetáculo linda bjs as duas
ResponderEliminarA Eliana é de facto espantosa!
ResponderEliminarRosário Onofre (publicado no Facebook) Luísa, obrigada pela tua história e pela Liliana. És uma mulher fantástica, gostava de conhecer essa miúda, tão especial que ela é. Parabéns.
ResponderEliminarMargarida Moura (publicado no Facebook) Deve mesmo ficar feliz. Luísa este texto está espetacular, emocionante também e quem conhece a Eliana reconhece nela uma força que não é comum. Parabéns pela forma como a tem educado e por tudo e que tem feito pela menina. Para isso é preciso ter um coração de ouro. Um grande grande beijinho ��
ResponderEliminarMesmo conhecendo a história é sempre emocionante ler sobre tudo o que já se passou...
ResponderEliminarOlá Luísa! Daqui é a mãe da Margarida! �� Adorei este texto! São vivências que marcam muito quem passa por elas. É também mais uma prova, do ser humano excelente que a Luísa é, e do amor que vos une! ��❤️��
ResponderEliminarInês, querida! Depois de as nossas vidas se cruzarem no Hospital de Santa Cruz, vamos ser amigas para sempre, certo? Muito obrigada pelas palavras.
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