segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A VOZ DA MÂE

A VOZ DA MÃE DA ELIANA - Hoje, a mãe da Eliana, falou pela primeira vez, pelo telefone, desde o local onde vive, com a filha, usando o telefone do pai da Eliana. E foi um acontecimento, aqui em casa. 
E lá, em Catió também deve ter sido. Quatro mil, quatrocentos e tantos quilómetros que se esfumaram num segundo e ficámos todos, aqui e lá, unidos e aconchegadinhos na conversa, na voz, a ouvir as nossas vozes. Maravilhoso! 

- Eliana, cuma bu sta? - repetiu a mãe da Eliana e repetiu e repetiu e repetiu, ao longo de dez minutos. 

A voz era pausada e baixa. Nervosa e saudosa. 

- Eliana, cuma bu sta? 

A Eliana, deitada, de cabeça na almofada, sorria e respondia alegre:
- Bem! Bem! Bem! 

Por trás, ouvia-se o pai, a rir, quando a Eliana falava.

- A Maria? O Jo? A Dina? - perguntava repetidamente a Eliana.
- I na durmi.- respondeu o pai, tantas vezes quantas ela perguntou pelos irmãos e pela prima. 

Os pais, eu senti-os felizes, alegres, nestes momentos, em que estivemos assim juntos à volta do telefone.
A rir, a rir. De repente ouvir a filha, a falar desenvolta em português de Portugal deve deixá-los felizes. Está crescida a sua menina. 

- Mana Luísa, cuma bu sta? Lourenço? Francisco? - perguntava, timidamente, a mãe da Eliana. 
- Bem! Bem! - cantava a Eliana 

E eu estava alegre, muito alegre, por ver a Eliana, tranquila e curiosa, a querer saber de todos, a tomar a iniciativa de falar.

- Quero ver a cara!! - pedia-me a Eliana mas não dava porque a net é fraca na Guiné Bissau e, até aquele momento, nunca tínhamos conseguido falar por voz, através do Messenger. Foi extraordinário! 

E os pais riam a ouvir a filha, falar. 

Foi bom e foi duro. 
Desliguei o telefone cheia de vontade de chorar. 
A Eliana estava alegre e começou a fazer disparates, sem querer dormir, a mexer os braços para cima e para baixo como que a remar e ainda me zanguei. 

Mas depois, adormeceu em cinco minutos. Penso que estava feliz.

Minha pequena, grande guerreira! 

Vamos fazer tudo para te trazer os teus pais, para te levar aos teus pais.

2 comentários:

  1. Isabel Gomes Ferreira Cunha ( comentário publicado no Facebook) Eu não tive vontade de chorar... eu fiquei de lágrimas nos olhos ao ler este testemunho de amor entre todos vós. Todos merecem que se cumpra essa imensa graça de vos juntar aqui em Portugal. E obvio que a quem Deus promete, jamais falta! Estou convosco. Um bjinho imenso Luisa Ramos de Carvalho, Eliana e família������

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  2. Fátima Marto (comentário publicado via Facebook) Aí aí Luisa que força que consegue fazer nesta família ...ao fazer tanto pela sua Eliane você chega a ser um" Euro milhões" para eles !!!!

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