segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

CRÓNICA DE NATAL

Gosto dos dias seguintes das épocas festivas. 
Do Natal, da Páscoa, dos aniversários. 
Gosto de olhar para a casa, ainda testemunhando o dia festivo do dia anterior, e relembrar a presença de cada um, e recordar os momentos mais divertidos, os risos, as histórias. 

Hoje, está a saber-me tão bem, este dia 26, cheio de sol, em que tudo dorme e eu, em paz, arrumo o que ficou destes dias de Natal, mergulhada na doçura do vivido, sentindo-me abençoada.

Este ano, a Eliana (filha de Wanta Na Cofa), a nossa pequena guineense em tratamento médico em Portugal, trouxe-nos um Natal diferente, com comida guineense e portuguesa, a pensar no gosto comum e na partilha.

Não houve bacalhau e os maracujás fizeram parte, pela primeira vez, da sobremesa.

A seguir ao jantar, a Eliana, tal qual um pequeno duende de Natal, foi voluntária,  para arrumar a cozinha, com uma dedicação tão genuína, que me fez acreditar, com mais força que acolher, o outro. desta forma, em família, é muito mais receber do que dar. 


E este ano, foi um Natal diferente pois, uma criança em casa, é sempre uma riqueza imensa, um olhar que nos leva de volta à magia da infância, um mundo de pequenos nadas. 


Um Natal, feliz e doloroso, por saber, a Eliana tão distante dos seus, que tanto a amam e com tantos obstáculos à comunicação, mesmo enviando um telemóvel oferta surpresa da Joana, Marisa e Catarina para a família da Eliana e entregue pessoalmente pelo Nuno. 


Assim, neste Natal de ontem, foi tempo de falar de Catió, da Guiné Bissau, da chuva e dos aviões que ligam lugares e trazem meninos para tratar doenças do "corazon" trazendo para perto o que está longe. 


E foi Natal, a falar do pai Wanta e da mãe N'Sumpte e, do irmão Jo, da irmã Maria, da vizinha Dina e da roupa azul do pai quando o vimos pelo computador, desde Bissau, em casa da Isabel. 

E foi tempo de testemunhar, como a Eliana, guarda as suas imensas saudades lá, bem fundo, e vive intensamente, o presente, com alegria. 


Uma lição de vida, uma forte memória de Natal, que partilho.

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