terça-feira, 17 de abril de 2018

EXERCÍCIOS DE MATEMÁTICA


Hoje, continuando com os exercícios do Manual TOP 1, estamos, agora, no tema dos conjuntos e nos conceitos de  "pertence" e "não pertence".
Olhei para o exercício e comecei, a sorrir, cheia de curiosidade de saber, o que é que a Eliana  me ia responder nas diferentes tarefas do manual.  Então, li alto para a Eliana.
- Risca o elemento intruso em cada conjunto. Explica as tuas razões.
"Intruso" é uma palavra que a Eliana não conhecia e eu, acho que nunca a uso. Logo, expliquei que, nesta exercício era preciso marcar o objecto, acho que ela também não sabia o que era objecto por isso disse "a coisa", "o desenho", que não era igual aos outros.
Foi o primeiro obstáculo.
- Não é igual??? - diz-me, surpreendida - É tudo igual. Olha, animais, animais, animais, coisas de comer, gelado, fruta, fruta, fruta. Percebes?
- Ok! - disse eu calmamente - Mas, em cada conjunto, (apontei) há um que não é tão igual, aos outros.
- Olha, aqui! - e apontei novamente -Bola, bola, bola, cubo. Qual riscas? - disse eu, curiosa da resposta.
- A bola cor-de-laranja! - responde-me a Eliana.
- Não! - corrijo eu, nem lhe perguntando porque deu essa resposta. 

Mais tarde, depois de estes momentos, com a Eliana, de aprendizagem e outros, eu fico a  perceber muito mais sobre quem eu sou e a forma como estou na vida. Neste dia, por exemplo, aprendi, que muitas vezes, o meu desejo de explicar é muito maior do que meu desejo de compreender o que a Eliana compreende e pensa sobre o que lhe estou a ensinar. E faço isto,  mesmo que eu saiba que, só se consegue ensinar, partindo daquilo que a criança já sabe e pode compreender. 
Logo, neste dia, expliquei convictamente.
- A bola cor-de-laranja é uma bola como as outras bolas. São todas bolas. O que está mal aqui é o cubo, percebes? Aqui é para marcares o que é igual e diferente. - e fiquei satisfeita de conseguir uma explicação que me pareceu lógica e consistente de fácil apreensão por ela, com os seus seis anos.


Mas a criança olhava-me atenta e fixamente. Nestas alturas,  eu começo a sentir que a miúda vai defender a sua resposta, com firmeza.
- Olha! - diz-me ela
- Gosto! - e aponta, a bola preta e branca.
- Gosto! - e aponta, a bola amarela.
- Gosto! - e aponta, o cubo.
- Não gosto! - e aponta,  a bola cor-de-laranja.


Eu, claro, achei super divertida, a explicação mas, como estava com a minha identidade de professora "que-tem-a-razão-e-ensina-quem-não-tem-tem-ainda-razão-nenhuma" num momento alto e ativo, contrariei a resposta e obriguei a riscar o cubo explicando, de forma firme e mesmo autoritária, que aquele exercício não era de "gostos" e "não gostos" mas de coisas que eram iguais e diferentes.


E avançámos.


Esta criança tem, no seu pacote de inteligência, uma inteligência emocional, bastante funcional e por isso, olhou para mim e, com ar de enfado, riscou o cubo com aquela atitude do género.
- Ok, leva lá a bicicleta se, isso, te faz feliz.


E, assim, passámos ao exercício, seguinte, comigo a guiar a execução das tarefas do manual.
- Vá lá, vamos lá, agora, para este aqui. Vamos, lá, agora, para este exercício. - continuei eu

E parecia que tudo  estava a correr bem quando ela exclamou.
- NEM PENSES!


Confesso, que me surpreendeu, porque foi no segundo. seguinte, a eu acabar a frase do "Vamos lá, agora, a este exercício".
- Nem penses, o quê? - disse eu, surpreendida.
- Olha, fruta, fruta, fruta, gelado - e vai apontando um a um cada um - Nem penses que eu vou riscar o gelado. Este gelado é mesmo delícia. Nem penses!


- Boa!!!- respondi, eu- ACERTASTE!!! ESTOU MESMO ORGULHOSA DE TI - e, como inteligência emocional com inteligência emocional se "paga", usei a minha melhor voz de alegria para, naquele momento, obter a melhor colaboração possível e continuarmos. E resultou ...


- Ok! Eu vou riscar o gelado.- disse a miúda e acrescentou - O gelado não é só de frutas e é sobremesa. 


Fiquei feliz e avancei para o conjunto do elefante, rinoceronte, zebra e formiga, já outra vez, a antever problemas porque a miúda, ama formigas como todos sabem, passando a vida a querer trazê-las para casa.


De facto, olhou para mim e disse
- São todos animais. Estão todos muito bem, aqui, JUNTINHOS. - e sorriu.

Voltei à identidade de professora que explica.
- Olha, são todos animais, é verdade, mas uns são animais grandes e um, é um animal pequeno. Há animais grandes e pequenos. 


E lá ficou, outra vez, a miúda, a olhar para mim, embrenhada nos seus próprios e profundos pensamentos, naquele "momentito" de concentração total, que nela, antecedem as grandes respostas. E assim, foi.
Olhou para mim, com ar condescendente, quem sabe ativando a sua identidade de criança que tem de explicar o óbvio aos adultos porque estes sistematicamente não o sabem e disse-me:
- São todos pequenos aqui. São desenhos pequenos. Estão todos PEQUENOS!


Confesso que a determinada altura, me canso. E nesta altura, já estávamos há milhares de tempo naquele exercício, cada resposta, uma luta pelo que eu resolvi dar uma ordem simples e clara, fácil de executar, com voz de comando e pronto.
- É para riscares a formiga, ok? - e tenho a certeza, embora não me recorde se o fiz ou não, que lhe devo ter levantado e apontado o dedo, mesmo tipo ordem de execução imediata.


Mais uma vez, a miúda, que é esperta e evita sempre irritar-me pegou no lápis, baixou-o sobre o papel e riscou a dita da formiga ou melhor, o desenho da dita formiga e ... ficou em CHOQUE.


😮 😩

- Aíiiiii! Aíiiiiii! - gemeu a miúda - Estás a ver o que aconteceu à formiga?

😧
E olhava esbugalhada, para o manual.


- Coitadinha da formiga .... desapareceu! Olha, nem se vê .... Coitadinha!
E abanava desolada a cabeça, a olhar a folha.


A última tarefa era indicar o lápis que não pertencia ao conjunto mas eu passei logo para a versão " Qual é o lápis de cor diferente?" e foi, tranquilo, assinar o lápis verde.

E assim, finalizámos, o exercício e passámos ao seguinte. 

"Forma o conjunto dos carrinhos do Ulisses.!
Ficam as reflexões.